NELSON RODRIGUESNelson Rodrigues (1912-1980) modernizou o palco brasileiro com a autoria da peça Vestido de Noiva, estreada em 1943. A montagem do diretor polonês Ziembinski e a cenografia do pintor Santa Rosa foram fundamentais, também, para o processo de modernização.Os três planos do texto - realidade, memória e alucinação - privilegiaram o subconsciente da heroína, novidade num teatro que ainda se movimentava na psicologia tradicional. A Mulher Sem Pecado (1941), que lançou o autor, já estava prestes a romper a censura do consciente. Se Vestido de Noiva é a projeção exterior da mente da protagonista, o monólogo Valsa nº 6 (1951) incorpora o mundo exterior ao desempenho da heroína, que encarna em cena as personagens de seu convívio. São ainda exemplos de peças psicológicas Viúva, Porém Honesta (1957) e Anti-Nelson Rodrigues (1973), mais aparentadas objetivamente à biografia do dramaturgoÀs duas primeiras obras psicológicas sucedeu a fase que se poderia denominar mítica, porque privilegia o inconsciente coletivo, os arquétipos, os mitos ancestrais. Figuram nela Álbum de Família (1945), explosão do incesto num núcleo primitivo; Anjo Negro (1946), abertura da ferida racial; Senhora dos Afogados (1947), transposição da Oréstia, de Ésquilo e de O Luto Assenta a Electra, de O'Neill; e Dorotéia (1949), tragédia do pecado contra o amor, transmitida por várias gerações femininas.Esgotada a incursão no inconsciente e estimulado pelo êxito popular dos contos-crônicas de A Vida Como Ela É..., publicados diariamente na imprensa, Nelson Rodrigues procedeu a uma síntese das peças psicológicas e das míticas, ainda que as fronteiras das várias fases nunca se mostrassem muito nítidas e funcionem sobretudo para fins didáticos. Surgiram, assim, as tragédias cariocas, bloco mais numeroso e compacto da dramaturgia rodriguiana, formado por A Falecida (1953), Perdoa-me por me Traíres (1957), Os Sete Gatinhos (1958), Boca de Ouro (1959), O Beijo no Asfalto (1961), Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária (1962), Toda Nudez Será Castigada (1965) e A Serpente (1978).Nas tragédias cariocas fundem-se, em geral, a realidade, freqüentemente vinculada à Zona Norte do Rio, e o mundo interior das personagens, com suas fantasias nutridas de mitos. O prosaísmo das vidas truncadas, maltratadas por um cotidiano infeliz, se resgata pela presença sempre vigorosa da transcendência, dando ao destino humano um sentido superior. DIAS GOMESNa seqüência de peças que, na década de cinqüenta, vinham trazendo acréscimos temáticos à dramaturgia brasileira, Dias Gomes (n. 1922) lançou, em 1960, no Teatro Brasileiro de Comédia de São Paulo, O Pagador de Promessas, que tem como pano de fundo o problema do sincretismo religioso. Zé-do-Burro faz uma promessa a Iansan e pretende pagá-la no interior de uma igreja de Santa Bárbara, em Salvador - a popular Iansan é sinônimo da santa católica. Mas o padre, movido por intolerância, não admite o que julga ser sacrilégio, provocando uma tragédia.Para a crítica e o público, a estréia pareceu a revelação de um autor maduro. A verdade é que Dias Gomes, aos 15 anos, com A Comédia dos Moralistas, já havia ganho um prêmio do Serviço Nacional de Teatro, e, em 1943, assinou contrato de exclusividade com Procópio Ferreira, considerado então o maior ator brasileiro. Dos cinco textos que escreveu naquele ano, o dramaturgo teve três interpretados por Procópio.A partir de O Pagador, que recebeu em 1962 a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na versão cinematográfica, Dias Gomes construiu uma das mais sólidas e continuadas carreiras dramatúrgicas. Alguns de seus títulos expressivos são A Invasão, A Revolução dos Beatos, O Bem Amado, O Berço do Herói, O Santo Inquérito, Vargas - Dr. Getúlio, Sua Vida e Sua Glória (em parceria com Ferreira Gullar) e Amor em Campo Minado. Campeões do Mundo, que estreou em 1980, teve uma importância histórica fundamental: foi a primeira peça a fazer um balanço da política brasileira, desde o golpe militar de 1964 até a abertura de 1979, com inteira liberdade, sem precisar recorrer a metáforas e alusões para iludir a Censura.Em Meu Reino por um Cavalo, estreada em 1989, Dias Gomes se desnuda corajosamente, problematizando a crise da maturidade. São numerosas, também, as telenovelas que ele escreveu, com grande aceitação popular. ODUVALDO VIANNA FILHO Em apenas 38 anos de vida, Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) deixou obra considerável, das mais sólidas da moderna dramaturgia brasileira. Desde a estréia, em 1959, no Teatro de Arena de São Paulo ajudando a consolidar a linha de prestígio ao autor nacional, com Chapetuba Futebol Clube, estão patentes seus méritos: a sensibilidade, a delicadeza, a finura psicológica, o diálogo de bom nível literário e a firmeza ideológica na análise dos problemas sociais.Por meio da figura do anti-herói, ele pinta sucessivos conflitos existenciais, em que impiedosa engrenagem acaba por sufocar o indivíduo. O fenômeno ocorre em Corpo a Corpo e A Longa Noite de Cristal, bem como em Moço em Estado de Sítio e Mão na Luva, vindas a público depois da morte do autor. Em Moço, assiste-se à dolorosa passagem do idealismo da juventude para o realismo da maturidade, com seu séquito de frustrações, sordidezes e compromissos inglórios. Biografia simbólica não só do intelectual, mas de parcela ponderável dos profissionais liberais.Já Mão na Luva trata do relacionamento de um casal, longe do amor piegas, inconsciente, alienado. A história sentimental inscreve-se, porém, no macrocosmo da vida pública dos protagonistas - sobretudo os problemas do homem como jornalista, a luta para não ceder às pressões de uma empresa desejosa de majorar as tarifas, a coerência profissional etc.Papa Highirte e Rasga Coração, as duas obras-primas legadas por Vianinha, foram premiadas em concursos promovidos pelo então Serviço Nacional de Teatro e logo receberam o veto da Censura, levantado depois da abertura política. Papa Highirte fixa o ocaso de um ditador latino-americano, às voltas, no exílio, com as obsessões e os fantasmas do passado. Por mais que ele se veja como um homem bom, sua ação ou omissão fez um cortejo de vítimas. E o texto se constrói em torno do ajuste de contas fatal, quando ele cogitava do regresso ao seu PaísRasga Coração, cujo fim o dramaturgo ditou no leito de morte, como um testamento espiritual, realiza um painel social do Brasil nas quatro décadas anteriores, adotando a perspectiva de um militante anônimo da esquerda. Desfilam nos episódios evocados a esperança de construção de um País justo, ideal sempre frustrado pelos sucessivos golpes da direita. E o conjunto se engrandece pela majestosa arquitetura do texto. ARIANO SUASSUNAEstreado no Recife em 1956, o Auto da Compadecida viajou para o Rio de Janeiro, consagrando Ariano Suassuna (n. 1927), de imediato, como um dos mais importantes dramaturgos brasileiros. A obra continha um achado que fundia duas tradições caras à nacionalidade: o teatro religioso medieval, que nutriu Gil Vicente, fundador do palco português, bem como o jesuíta José de Anchieta, que inaugurou a cena brasileira; e o populário nordestino, de riqueza incomparável nas personagens e situações.Acreditava o dramaturgo paraibano que se vivia, então, a época elisabetana - "estamos num tempo semelhante ao que produziu Molière, Gil Vicente, Shakespeare etc." Com verve admirável, ele aliou o espontâneo ao elaborado, o popular ao erudito, a linguagem comum ao estilo terso, o regional ao universal. A religiosidade autêntica de A Compadecida alimenta-se do melhor sentido que possa ter a palavra misericórdia, guardando uma irreverência voltada contra o preconceito, ao criar um Cristo negro.O Arco Desolado baseou-se na mesma lenda de A Vida é Sonho, de Calderón de la Barca. O Auto de João da Cruz dramatiza uma aventura faustiana. E O Santo e a Porca, versão brasileira do tema do avarento, inspira-se na Aulularia (Comédia da Panela), de Plauto, e no L'Avare, de Molière, tornando-se uma moralidade ao sabor do Nordeste.A Pena e a Lei talvez seja a obra mais ambiciosa de Suassuna, na medida em que é uma síntese de contos populares e de exigente inspiração erudita, Commedia dell'Arte e auto sacramental, sátira de costumes e arguta mensagem teológica, divertimento nordestino e proposição de alcance genérico, história concreta e vôo para regiões abstratas, mamulengo e metafísica - enfim uma verdadeira súmula do teatro.De volta agora ao palco, depois de longo intervalo romanesco, Ariano Suassuna tem muito a oferecer, ainda, à arte brasileira. AUGUSTO BOALAugusto Boal (n. 1931) tem expressiva obra de dramaturgo além de ser conhecido internacionalmente, com traduções em mais de vinte línguas, de suas teorias acerca do Teatro do Oprimido.Depois de cursar dramaturgia, nos Estados Unidos, com John Gassner, Boal passou a dirigir no Teatro de Arena de São Paulo onde houve a estréia, em 1960, de sua peça Revolução na América do Sul, protagonizada pelo homem do povo José da Silva, vítima de todas as explorações da classe dominante. Com verve extraordinária, que apela para o épico, a farsa deslavada e o quase riso circense, as situações alcançam poder corrosivo incomum.Desferido o golpe militar de 1964, Boal, de parceria com Gianfrancesco Guarnieri, que inaugurou com Eles Não Usam Black-tie a linha nacionalista do Arena, lançou Arena Conta Zumbi e mais tarde Arena Conta Tiradentes, utilizando dois heróis históricos, sacrificados na luta pela liberdade, como metáfora contra a opressão do momento. Outro texto representativo de Boal é Murro em Ponta de Faca, dramatização de seu longo exílio, que se seguiu à prisão e à tortura.Vários livros dão conta do Teatro do Oprimido, assinalando-se os mais recentes Stop: C'est Magique e O Arco-Íris do Desejo (Método Boal de Teatro e Terapia). A melhor definição para ele "seria a de que se trata do teatro das classes oprimidas e de todos os oprimidos, mesmo no interior dessas classes". As técnicas para desenvolvê-lo compreendem o teatro invisível, o teatro-imagem e o teatro-foro, e visam a transformar o espectador em protagonista da ação dramática e, "através dessa transformação, ajudar o espectador a preparar ações reais que o conduzam à própria liberação".Em Teatro Legislativo, livro no qual o dramaturgo e ensaísta aproveita a sua experiência como vereador do Rio de Janeiro, encerrada em 1996, o espectador convertido em ator busca um novo estádio - o cidadão se transforma em legisladorO TEATRO DE ARENA A principal característica do Teatro de Arena, fundado em São Paulo em 1953, tendo à frente José Renato - egresso, como outros, da Escola de Arte Dramática -, foi a de nacionalizar o palco brasileiro, a partir da estréia de Eles Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958.No início, o grupo, que foi o primeiro na América do Sul a utilizar a cena circular envolvida pelo público, visava sobretudo à economia do espetáculo, adotando as mesmas premissas estéticas do Teatro Brasileiro de Comédia com o ecletismo de repertório. Sem a necessidade de cenários, atuando em locais improvisados, o grupo podia abolir muitas despesas.Mesmo assim, tendo inaugurado em 1955 a sala da rua Theodoro Bayma, o Arena, em difícil situação financeira, preferiu fechar as portas com uma peça de um de seus atores, originário do Teatro Paulista do Estudante, ao qual se uniu para formar-se o Elenco Estável: Gianfrancesco Guarnieri. Black-tie não só se constituiu um grande sucesso de mais de um ano em cartaz, como iniciou a linha de prestígio da dramaturgia brasileira, continuada por Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho Revolução na América do Sul, de Augusto Boal e outros textos, aprovados no Seminário de Dramaturgia que ali se criou.O Arena, com a colaboração de Augusto Boal, conhecedor das experiências do Actors'Studio, nos Estados Unidos, empenhou-se também na procura de um estilo brasileiro de encenação e de desempenho. A seguir, promoveu a nacionalização dos clássicos. Veio depois a fase dos musicais, expressa por Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, de Guarnieri e Boal. Com o Sistema Curinga, aí adotado, abrasileirou-se o teatro épico de Brecht.A repressão violenta da ditadura, principalmente com o Ato Institucional nº 5, de 1968, ainda permitiu a Augusto Boal fazer a experiência do Teatro Jornal, primeiro passo de seu Teatro do Oprimido, que se desenvolveu no exterior nas formas do Teatro Invisível e do Teatro-Foro. Mas seu exílio, em 1971, já afastados outros valores do grupo, interrompeu a grande trajetória do Teatro de Arena.
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Data de criação : 07/12/04 Última atualização : 08/03/19 18:03 / 8 Artigos publicados
Autores do Teatro Brasileiro escrito em quarta 19 dezembro 2007 00:34
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Todos os comentários desse artigo:
Autores do Teatro Brasileiro
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gostei adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
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eu acho o teatro muito legal e quem trabalha com o teatro deve gostar muito.
bjsbjsbjs
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oi,que porcaria de trem não tem nada do que eu tava procurando!!!!cadÊ os autores?
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eu acho o teatro bem legal.
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oi tudo bem quero autores e obras do teatro brasileiro
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oi tudo bem quero autores e obras do teatro brasileiro
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atores de teatro

thallya
Qui 08 Out 2009 13:32