Introdução ao cinema
DECUPAR
"A articulação de um conjunto em ações distintas, no interior de diferentes planos, é o que designa habitualmente na prática cinematográfica como decupagem. Não apenas a ênfase de momentos isolados da ação reforça o efeito emocional, mas sobretudo, ela dá uma interpretação dos elementos representados, pois para o espectador cada nova posição da câmera torna-se o único ponto de vista possível para absorver os acontecimentos".
Segei M Eisenstein, diretor russo.
Com a chegada do som, ganhou mais peso o último estágio da elaboração dos roteiros, que se chama decupagem.
No primeiro momento, elabora-se um argumento, que contém em linhas gerais o que vai acontecer na história. Ao escrever o roteiro, essa idéia ganha contornos claros, transforma-se em cenas, com indicações da ação que vai se realizar, características de cada personagem, etc. No roteiro, que quase sempre é elaborado mais de uma vez, o argumanto é retalhado e passa por modificações.
A decupagem é o momento em que o filme vai para a produção. Ali são colocadas todas as indicações de diálogos, som e música. Mas não é só. A palavra decupar vem do francês découper, que significa "cortar em pedaços". na prática, é o momento em que o diretor e roteirista dividem cada cena em planos.
O QUE É UM PLANO
Podemos definir um plano como sendo cada fragmento filmado. Um filme compõe-se, portanto, de planos. Quando um plano é cortado na montagem e se passa ao plano seguinte, muda a posição da câmera e as dimensões do plano.
Existem vários ti´pos de planos (consideremos um cenário ou paisagem com um grupo de personagens):
PLANO GERAL: (PG) - Mostra o conjunto de um cenário ou uma ampla paisagem.
PLANO DE CONJUNTO (PC) - Mostra um grupo de personagens.
PLANO MÉDIO (PM) - Mostra o personagem de corpo inteiro.
PLANO AMERICANO (PA) - Mostra o personagem dos joelhos para cima, aproximadamente.
PRIMEIRO PLANO (PP) - Mostra o personagem da cintura para cima.
PRIMEIRÍSSIMO PLANO (PPP) - Mostra o rosto do personagem.PLANO DE DETALHE (PD) - Mostra um detalhe do rosto, de uma parte do corpo, de um objetoUma proposta de educação para os meiosNão é de hoje que se percebe que há um descompasso entre as mudanças tecnológicas da sociedade e a escola. Principalmente a partir do século XX os meios de comunicação de massa, em especial os audiovisuais como o cinema, o radio e a televisão, introduziram na sociedade uma nova maneira de relacionamento e de produção de sentidos sociais. Essa trama tornou-se ainda mais complexa a partir dos anos 80 deste mesmo século, quando novas tecnologias da informação e da comunicação passam a conectar o mundo numa grande teia global, na qual se encurtam distancias e se alteram as noções de tempo e espaço.A escola tem tentado dar conta dessas mudanças e varias experiências colocadas em pra ticas ainda que meio de forma exploratória. O que se verifica, entretanto, e que de uma maneira geral, os professores não estão sendo preparados para introduzir nem essas novas tecnologias nem a discussão sobre o que elas representam para a sociedade, cada vez mais formado por indivíduos submetidos à influência crescente de tais meios. Astreia Almeida Marques aponta que:os professores demonstram ter consciência de que poderiam agir melhor pedagogicamente, tanto em relação ao uso das Novas Tecnologias e dos Meios. de Comunicação de Massa quanto s diferentes linguagens e possibilidades de trabalho pedagógico e discussões que o tema oferece. O que eles não sabem ecomo fazer, verdadeiramente, para acertar, pois não foram preparados para isso, nem nos cursos de graduação, nem através de programas de capacitação em serviço. (2002, p. 145)Segundo ela o docente recente-se da falta de capacitação para atuar nesse contexto, percebe as mudanças, sabe que seu trabalho deve ser contextualizado, sabe que se espera dele que contribua para a formação do educando que ira viver neste mundo que esta aı, mas não sabe “como fazer”.Diante dessas constatações e das discussões levantadas nas disciplinas de Comunicação e Educação â pressupostos teóricos e de Cultura de Massa e Escola, ministradas no programa de Mestrado em Educação da UFPR, verificou-se a necessidade de se pensar em uma proposta metodológica concreta de educação para os meios, especificamente voltada para o professor. E a partir dele que se pretende chegar ao aluno, através de um processo multiplicador da discussão dos meios de comunicação na sociedade. A idéia era a de proporcionar a formação do professor, mas ao mesmo tempo possibilitar a ele o acesso a produtos culturais nem sempre tão disponíveis ao seu padrão de vida.Daí começam a idealizar o projeto ligado ao Núcleo de Comunicacão e Educação Popular (NCEP) da Universidade Federal do Paraná, integrado por alunos do curso de Comunicação Social e do Programa de Pos Graduação em Educação.Criado em fevereiro de 2003, o NCEP atua junto aos movimentos populares de Curitiba discutindo e assessorando ações de comunicação e educação. Uma de suas frentes de atuação e o NCEP-Escola, que tem como objetivos desenvolver projetos de educação para os meios de comunicação junto a alunos e professores de escolas públicas.O Cinema na Escola para o Professor passou a ser um desses projetos, que surgiu a partir de reuniões realizadas com alunos do Programa de Mestrado em Educação, interessados em desenvolver pesquisas voltadas para a compreensão da relação existente entre os meios de comunicação de massa e a escola. Constatou-se nesta discussão que os professores, de uma maneira geral, tão pouco acesso a filmes e eventos culturais diversificados, que na maioria das vezes desconhecem a problema tica dos meios de comunicação de massa na sociedade e que tão poucos momentos de lazer e entretenimento.5A idéia então foi a de criar um curso de atualização no qual esse professor pudesse ter acesso a filmes interessantes que, ao mesmo tempo, tenham como tema tica o papel dos meios no mundo moderno e possam discutir com seus pares suas impressões e opiniões num ambiente descontraído e agradável, dentro do seu local de trabalho: a própria escola.O objetivo central do projeto e o de discutir a presença massiva desses meios na sociedade e suas implicações culturais na escola e também possibilitar o acesso dos professores a filmes nem sempre prestigiados pelo sistema de distribuição comercial da indústria cinematográfica. Paralelamente, como e uma ação de um grupo de pesquisa sobre comunicação - educação, todo o desenvolvimento do projeto será sistematizado com o objetivo de se analisar qual a relação dos professores envolvidos com o cinema e com a tema tica proposta.O tema do curso e a análise da presença dos meios de comunicação na sociedade e suas implicações socio-econômicas e culturais na escola. Para tanto, foram escolhidos filmes que abordam a questão sob os seguintes aspectos: os meios de comunicação de massa, o indivıduo e a sociedade; as implicações políticas e culturais da comunicação; a fabricação da notıcia e a “espetacularização da vida real; a presença dos meios de comunicação de massa na sociedade brasileira e a sociedade do século XXI e sua relação com os novos meios de comunicação e de informação. Rosa Maria Cardoso Dalla Costa
Alguns detalhes sobre Cinema escrito em terça 18 dezembro 2007 09:06
Cinema em sala de aula escrito em terça 18 dezembro 2007 11:02
ARTE E INFORMÁTICA escrito em terça 18 dezembro 2007 11:44
Projeto Empreendedorismo Artes e Informática
RESUMO:
Os alunos conhecerão o significado da palavra EMPREENDEDORISMO, a importância de desenvolver-se esta visão, farão um teste para saberem se possuem espírito empreendedor.
Os alunos deverão: - indicar um nome para a empresa, o ramo de atuação,
a responsabilidade social, e uma logomarca que será
escolhido por votação;
- definir se trabalharão com a venda do produto ou não,
ou se haverá doações ou não,
- buscar patrocínio e/ou apoio;
- sugerir a instituição que será beneficiada.
Divididos em 5 grupos por afinidade com as atividades a serem realizadas deverão:
Grupo de Marketing – Divulgar o projeto pela escola através da elaboração textos que serão utilizados pelo grupo gráfico, abordagem aos demais alunos. Criar estratégias para atingir o público alvo dos produtos da empresa. Elaborar um projeto sobre a atividade, a empresa e sua finalidade com orçamento e todo material que será necessário para fazer contatos com os possíveis patrocinadores (que doam o dinheiro) e apoiadores (que doam os recursos).
Grupo Gráfico – Elaborar cartazes, filipetas, banners, convites, etiquetas, todo material que será impresso e logo do evento se for necessário. Elaborar a arte do produto para uma camisa ou qualquer outro material que será vendido ou distribuído.
Grupo de Internet – Criar o site da empresa. Em parceria com o grupo de marketing, elaborar textos para divulgar a empresa, seus produtos e o evento que cumprirá com a responsabilidade social.
Grupo de Edição – Fazer fotos e diário das aulas, fotos do evento, vídeo do evento e para o evento com roteiro criado pelo grupo de produção. Criar uma galeria para expor as fotos, no dia do evento ou após.
Grupo de Produção – Criar um roteiro para o vídeo. Fazer reuniões de produção com a turma sobre patrocínios e apoios conseguidos, como buscar o material doado, organizar o evento. Elaborar carta com o resultado do mesmo e de agradecimento aos patrocinadores, apoiadores e comunidade escolar.
Obs.1: Em contrapartida, divulgar as logomarcas dos patrocinadores e/ou apoiadores no material impresso e no site da empresa.
Obs.2: Criar uma comissão que fará a entrega das doações e/ou dinheiro arrecadados.
Obs.3: Verificar se não existe uma empresa com o nome criado antes de colocá-lo no ar. Se houver explicar que não passa de uma atividade escolar.
Obs.4: Dependendo do ramo de atividade, no caso do projeto desenvolvido no Providência, os alunos poderão confeccionar os produtos.
Para a véspera e dia do evento:
Criar uma comissão que deverá:
- ver e organizar o espaço;
- fazer um roteiro do evento;
- definir quem lidará com o dinheiro ou receberá as doações e seus postos de
coleta;
- quem irá apresentá-lo.
RECURSOS:
Ferramenta: - Webquest Empreendedorismo,
- Front Page,
- Internet,
- Corel Draw,
- Photoshop,
- Power Point e
- Word.
Planejamento para o 8º. Ano / EMPREENDEDORISMO
TEMA: EMPREENDEDORISMO - ARTE E INFORMÁTICA
OBS: A produção pode ser variada, tendo a possibilidade de produzir cds (coletânea de músicas), dvds com coletâneas de vídeos, documentário e produção de ilustrações originais que abordem o tema estampadas em blusas.
NOME DA EMPRESA:
PRODUTO PARA CONFECÇÃO E SORTEIO PARA CAPTAÇÃO DE RECURSOS:
ENTRADA (PRODUTOS NÃO PERECÍVEIS OU DE HIGIENE):
NOME DA CAMPANHA:
PRODUTOS A SEREM DOADOS:
APOIO PARA CONFECÇÃO DAS BLUSAS:
BANDA MUSICAL PARA CAPTAÇÃO DE PÚBLICO:
INSTITUIÇÃO A SER BENEFICIADA:
SUGESTÕES:
Criação do Projeto: Profa. Márcia Tomobe e Profa. Daniely
Autores do Teatro Brasileiro escrito em terça 18 dezembro 2007 21:34
NELSON RODRIGUESNelson Rodrigues (1912-1980) modernizou o palco brasileiro com a autoria da peça Vestido de Noiva, estreada em 1943. A montagem do diretor polonês Ziembinski e a cenografia do pintor Santa Rosa foram fundamentais, também, para o processo de modernização.Os três planos do texto - realidade, memória e alucinação - privilegiaram o subconsciente da heroína, novidade num teatro que ainda se movimentava na psicologia tradicional. A Mulher Sem Pecado (1941), que lançou o autor, já estava prestes a romper a censura do consciente. Se Vestido de Noiva é a projeção exterior da mente da protagonista, o monólogo Valsa nº 6 (1951) incorpora o mundo exterior ao desempenho da heroína, que encarna em cena as personagens de seu convívio. São ainda exemplos de peças psicológicas Viúva, Porém Honesta (1957) e Anti-Nelson Rodrigues (1973), mais aparentadas objetivamente à biografia do dramaturgoÀs duas primeiras obras psicológicas sucedeu a fase que se poderia denominar mítica, porque privilegia o inconsciente coletivo, os arquétipos, os mitos ancestrais. Figuram nela Álbum de Família (1945), explosão do incesto num núcleo primitivo; Anjo Negro (1946), abertura da ferida racial; Senhora dos Afogados (1947), transposição da Oréstia, de Ésquilo e de O Luto Assenta a Electra, de O'Neill; e Dorotéia (1949), tragédia do pecado contra o amor, transmitida por várias gerações femininas.Esgotada a incursão no inconsciente e estimulado pelo êxito popular dos contos-crônicas de A Vida Como Ela É..., publicados diariamente na imprensa, Nelson Rodrigues procedeu a uma síntese das peças psicológicas e das míticas, ainda que as fronteiras das várias fases nunca se mostrassem muito nítidas e funcionem sobretudo para fins didáticos. Surgiram, assim, as tragédias cariocas, bloco mais numeroso e compacto da dramaturgia rodriguiana, formado por A Falecida (1953), Perdoa-me por me Traíres (1957), Os Sete Gatinhos (1958), Boca de Ouro (1959), O Beijo no Asfalto (1961), Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária (1962), Toda Nudez Será Castigada (1965) e A Serpente (1978).Nas tragédias cariocas fundem-se, em geral, a realidade, freqüentemente vinculada à Zona Norte do Rio, e o mundo interior das personagens, com suas fantasias nutridas de mitos. O prosaísmo das vidas truncadas, maltratadas por um cotidiano infeliz, se resgata pela presença sempre vigorosa da transcendência, dando ao destino humano um sentido superior. DIAS GOMESNa seqüência de peças que, na década de cinqüenta, vinham trazendo acréscimos temáticos à dramaturgia brasileira, Dias Gomes (n. 1922) lançou, em 1960, no Teatro Brasileiro de Comédia de São Paulo, O Pagador de Promessas, que tem como pano de fundo o problema do sincretismo religioso. Zé-do-Burro faz uma promessa a Iansan e pretende pagá-la no interior de uma igreja de Santa Bárbara, em Salvador - a popular Iansan é sinônimo da santa católica. Mas o padre, movido por intolerância, não admite o que julga ser sacrilégio, provocando uma tragédia.Para a crítica e o público, a estréia pareceu a revelação de um autor maduro. A verdade é que Dias Gomes, aos 15 anos, com A Comédia dos Moralistas, já havia ganho um prêmio do Serviço Nacional de Teatro, e, em 1943, assinou contrato de exclusividade com Procópio Ferreira, considerado então o maior ator brasileiro. Dos cinco textos que escreveu naquele ano, o dramaturgo teve três interpretados por Procópio.A partir de O Pagador, que recebeu em 1962 a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na versão cinematográfica, Dias Gomes construiu uma das mais sólidas e continuadas carreiras dramatúrgicas. Alguns de seus títulos expressivos são A Invasão, A Revolução dos Beatos, O Bem Amado, O Berço do Herói, O Santo Inquérito, Vargas - Dr. Getúlio, Sua Vida e Sua Glória (em parceria com Ferreira Gullar) e Amor em Campo Minado. Campeões do Mundo, que estreou em 1980, teve uma importância histórica fundamental: foi a primeira peça a fazer um balanço da política brasileira, desde o golpe militar de 1964 até a abertura de 1979, com inteira liberdade, sem precisar recorrer a metáforas e alusões para iludir a Censura.Em Meu Reino por um Cavalo, estreada em 1989, Dias Gomes se desnuda corajosamente, problematizando a crise da maturidade. São numerosas, também, as telenovelas que ele escreveu, com grande aceitação popular. ODUVALDO VIANNA FILHO Em apenas 38 anos de vida, Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) deixou obra considerável, das mais sólidas da moderna dramaturgia brasileira. Desde a estréia, em 1959, no Teatro de Arena de São Paulo ajudando a consolidar a linha de prestígio ao autor nacional, com Chapetuba Futebol Clube, estão patentes seus méritos: a sensibilidade, a delicadeza, a finura psicológica, o diálogo de bom nível literário e a firmeza ideológica na análise dos problemas sociais.Por meio da figura do anti-herói, ele pinta sucessivos conflitos existenciais, em que impiedosa engrenagem acaba por sufocar o indivíduo. O fenômeno ocorre em Corpo a Corpo e A Longa Noite de Cristal, bem como em Moço em Estado de Sítio e Mão na Luva, vindas a público depois da morte do autor. Em Moço, assiste-se à dolorosa passagem do idealismo da juventude para o realismo da maturidade, com seu séquito de frustrações, sordidezes e compromissos inglórios. Biografia simbólica não só do intelectual, mas de parcela ponderável dos profissionais liberais.Já Mão na Luva trata do relacionamento de um casal, longe do amor piegas, inconsciente, alienado. A história sentimental inscreve-se, porém, no macrocosmo da vida pública dos protagonistas - sobretudo os problemas do homem como jornalista, a luta para não ceder às pressões de uma empresa desejosa de majorar as tarifas, a coerência profissional etc.Papa Highirte e Rasga Coração, as duas obras-primas legadas por Vianinha, foram premiadas em concursos promovidos pelo então Serviço Nacional de Teatro e logo receberam o veto da Censura, levantado depois da abertura política. Papa Highirte fixa o ocaso de um ditador latino-americano, às voltas, no exílio, com as obsessões e os fantasmas do passado. Por mais que ele se veja como um homem bom, sua ação ou omissão fez um cortejo de vítimas. E o texto se constrói em torno do ajuste de contas fatal, quando ele cogitava do regresso ao seu PaísRasga Coração, cujo fim o dramaturgo ditou no leito de morte, como um testamento espiritual, realiza um painel social do Brasil nas quatro décadas anteriores, adotando a perspectiva de um militante anônimo da esquerda. Desfilam nos episódios evocados a esperança de construção de um País justo, ideal sempre frustrado pelos sucessivos golpes da direita. E o conjunto se engrandece pela majestosa arquitetura do texto. ARIANO SUASSUNAEstreado no Recife em 1956, o Auto da Compadecida viajou para o Rio de Janeiro, consagrando Ariano Suassuna (n. 1927), de imediato, como um dos mais importantes dramaturgos brasileiros. A obra continha um achado que fundia duas tradições caras à nacionalidade: o teatro religioso medieval, que nutriu Gil Vicente, fundador do palco português, bem como o jesuíta José de Anchieta, que inaugurou a cena brasileira; e o populário nordestino, de riqueza incomparável nas personagens e situações.Acreditava o dramaturgo paraibano que se vivia, então, a época elisabetana - "estamos num tempo semelhante ao que produziu Molière, Gil Vicente, Shakespeare etc." Com verve admirável, ele aliou o espontâneo ao elaborado, o popular ao erudito, a linguagem comum ao estilo terso, o regional ao universal. A religiosidade autêntica de A Compadecida alimenta-se do melhor sentido que possa ter a palavra misericórdia, guardando uma irreverência voltada contra o preconceito, ao criar um Cristo negro.O Arco Desolado baseou-se na mesma lenda de A Vida é Sonho, de Calderón de la Barca. O Auto de João da Cruz dramatiza uma aventura faustiana. E O Santo e a Porca, versão brasileira do tema do avarento, inspira-se na Aulularia (Comédia da Panela), de Plauto, e no L'Avare, de Molière, tornando-se uma moralidade ao sabor do Nordeste.A Pena e a Lei talvez seja a obra mais ambiciosa de Suassuna, na medida em que é uma síntese de contos populares e de exigente inspiração erudita, Commedia dell'Arte e auto sacramental, sátira de costumes e arguta mensagem teológica, divertimento nordestino e proposição de alcance genérico, história concreta e vôo para regiões abstratas, mamulengo e metafísica - enfim uma verdadeira súmula do teatro.De volta agora ao palco, depois de longo intervalo romanesco, Ariano Suassuna tem muito a oferecer, ainda, à arte brasileira. AUGUSTO BOALAugusto Boal (n. 1931) tem expressiva obra de dramaturgo além de ser conhecido internacionalmente, com traduções em mais de vinte línguas, de suas teorias acerca do Teatro do Oprimido.Depois de cursar dramaturgia, nos Estados Unidos, com John Gassner, Boal passou a dirigir no Teatro de Arena de São Paulo onde houve a estréia, em 1960, de sua peça Revolução na América do Sul, protagonizada pelo homem do povo José da Silva, vítima de todas as explorações da classe dominante. Com verve extraordinária, que apela para o épico, a farsa deslavada e o quase riso circense, as situações alcançam poder corrosivo incomum.Desferido o golpe militar de 1964, Boal, de parceria com Gianfrancesco Guarnieri, que inaugurou com Eles Não Usam Black-tie a linha nacionalista do Arena, lançou Arena Conta Zumbi e mais tarde Arena Conta Tiradentes, utilizando dois heróis históricos, sacrificados na luta pela liberdade, como metáfora contra a opressão do momento. Outro texto representativo de Boal é Murro em Ponta de Faca, dramatização de seu longo exílio, que se seguiu à prisão e à tortura.Vários livros dão conta do Teatro do Oprimido, assinalando-se os mais recentes Stop: C'est Magique e O Arco-Íris do Desejo (Método Boal de Teatro e Terapia). A melhor definição para ele "seria a de que se trata do teatro das classes oprimidas e de todos os oprimidos, mesmo no interior dessas classes". As técnicas para desenvolvê-lo compreendem o teatro invisível, o teatro-imagem e o teatro-foro, e visam a transformar o espectador em protagonista da ação dramática e, "através dessa transformação, ajudar o espectador a preparar ações reais que o conduzam à própria liberação".Em Teatro Legislativo, livro no qual o dramaturgo e ensaísta aproveita a sua experiência como vereador do Rio de Janeiro, encerrada em 1996, o espectador convertido em ator busca um novo estádio - o cidadão se transforma em legisladorO TEATRO DE ARENA A principal característica do Teatro de Arena, fundado em São Paulo em 1953, tendo à frente José Renato - egresso, como outros, da Escola de Arte Dramática -, foi a de nacionalizar o palco brasileiro, a partir da estréia de Eles Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958.No início, o grupo, que foi o primeiro na América do Sul a utilizar a cena circular envolvida pelo público, visava sobretudo à economia do espetáculo, adotando as mesmas premissas estéticas do Teatro Brasileiro de Comédia com o ecletismo de repertório. Sem a necessidade de cenários, atuando em locais improvisados, o grupo podia abolir muitas despesas.Mesmo assim, tendo inaugurado em 1955 a sala da rua Theodoro Bayma, o Arena, em difícil situação financeira, preferiu fechar as portas com uma peça de um de seus atores, originário do Teatro Paulista do Estudante, ao qual se uniu para formar-se o Elenco Estável: Gianfrancesco Guarnieri. Black-tie não só se constituiu um grande sucesso de mais de um ano em cartaz, como iniciou a linha de prestígio da dramaturgia brasileira, continuada por Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho Revolução na América do Sul, de Augusto Boal e outros textos, aprovados no Seminário de Dramaturgia que ali se criou.O Arena, com a colaboração de Augusto Boal, conhecedor das experiências do Actors'Studio, nos Estados Unidos, empenhou-se também na procura de um estilo brasileiro de encenação e de desempenho. A seguir, promoveu a nacionalização dos clássicos. Veio depois a fase dos musicais, expressa por Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, de Guarnieri e Boal. Com o Sistema Curinga, aí adotado, abrasileirou-se o teatro épico de Brecht.A repressão violenta da ditadura, principalmente com o Ato Institucional nº 5, de 1968, ainda permitiu a Augusto Boal fazer a experiência do Teatro Jornal, primeiro passo de seu Teatro do Oprimido, que se desenvolveu no exterior nas formas do Teatro Invisível e do Teatro-Foro. Mas seu exílio, em 1971, já afastados outros valores do grupo, interrompeu a grande trajetória do Teatro de Arena.







